Levantamento elaborado pelo órgão constata que a taxa média do empréstimo pessoal retomou a trajetória de alta, interrompida em outubro, quando houve queda. O cheque especial registrou a primeira queda do ano.
A Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, realizou em dez instituições financeiras, nos dias 3 e 4 de novembro, pesquisa de taxa de juros de empréstimo pessoal e cheque especial para pessoa física. Os bancos que fizeram parte da pesquisa foram HSBC, Banespa, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Nossa Caixa, Real e Unibanco.
Empréstimo Pessoal - a taxa média dos bancos pesquisados foi de 5,45% a.m., superior à do mês anterior, que foi de 5,42% a.m., significando um acréscimo de 0,03 ponto percentual.
As altas verificadas nas taxas de empréstimo pessoal foram: Banco Real – alterou de 5,70% para 5,90% a.m., o que significa um acréscimo de 0,20 ponto percentual, representando uma variação positiva de 3,51% em relação à taxa de outubro/05; Caixa Econômica Federal – alterou de 5,10% para 5,22% a.m., o que significa um acréscimo de 0,12 ponto percentual, representando uma variação positiva de 2,35% em relação à taxa de outubro/05.
As quedas verificadas nas taxas de empréstimo pessoal foram: Bradesco – alterou de 5,85% para 5,81% a.m., o que significa um decréscimo de 0,04 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,68% em relação à taxa de outubro/05; HSBC – alterou de 5,06% para 5,04% a.m., o que significa um decréscimo de 0,02 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,40% em relação à taxa de outubro/05.
Os demais bancos mantiveram suas taxas de empréstimo pessoal.
Cheque Especial - a taxa média dos bancos pesquisados foi de 8,31% a.m., inferior à do mês anterior, que foi de 8,32% a.m., significando um decréscimo de 0,01 ponto percentual.
O único banco que alterou a taxa de cheque especial foi o Bradesco, que passou de 8,31% para 8,27% a.m., o que significa um decréscimo de 0,04 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,48% em relação à taxa de outubro/05.
Considerando que existe a possibilidade de variação da taxa do empréstimo pessoal em função do prazo do contrato, foi estipulado o período de 12 meses, já que todos os bancos pesquisados trabalham com este prazo. Vale lembrar, também, que os dados coletados referem-se a taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais, sendo que para o cheque especial foi considerado o período de 30 dias.
A pesquisa realizada pelo PROCON apresentou, neste mês, um comportamento um pouco diferente dos juros, em relação ao mês anterior. A taxa média do empréstimo pessoal retomou a trajetória de alta, interrompida em outubro, quando houve queda. O cheque especial registrou a primeira queda do ano.
Cabe salientar, porém, que as variações são de pequena magnitude. No caso do cheque especial, a queda chega a ser inexpressiva; se considerarmos que a taxa média de outubro foi de 8,315% e a deste mês foi de 8,311%, a diferença se deu mais por força de arredondamento de casas decimais.
Na reunião de outubro, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica, que passou de 19,50% para 19,00% ao ano. A expectativa é que a taxa básica caia ainda mais e encerre o ano em 18,00%.
Esse afrouxamento da política de juros está ligado a alguns indicadores positivos: comportamento favorável dos índices de inflação (apesar do recente aumento dos preços dos combustíveis); tranqüilidade observada no mercado de câmbio (a valorização do real mantém sob controle os preços de bens e matérias-primas importadas); e a expectativa de que a inflação de 2006 fique próxima das metas do governo.
No mercado financeiro, a redução da taxa básica já era esperada, no entanto o cliente bancário ainda não está sentindo no bolso o reflexo dessa redução. Apesar da taxa SELIC influenciar todas as demais taxas do mercado, não é seu único componente.
Diante dos juros elevados e da variedade de linhas de crédito, o consumidor deve tomar alguns cuidados:
· analisar os juros, o prazo, as condições e despesas de contratação e sua capacidade de pagamento;
· ficar atento à oferta de serviços financeiros pelo varejo. Grandes redes de lojas, em parceria com bancos e financeiras, passaram a oferecer crédito pessoal para clientes e não clientes. Apesar da facilidade, os juros costumam ser altos;
· se precisar realmente de dinheiro, é preferível o crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) que tem juros menores.